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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Afoturismos IV

Quem quiser ver teatro no futuro terá que ir ao museu. Sim,a dramaturgia no futuro estará praticamente extinta. Bem, extinto estará o teatro que vocês conhecem, porque surge no último século um conceito totalmente novo de teatro chamado Drama-game, onde a representação teatral se une á interatividade dos videogames. O visionário introdutor do conceito no cenário teatral internacional, Mário Olivier, junto com seu irmão, Luigi Olivier,são homenageados até hoje pelos fãs de teatro e os nerds.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Afoturismos III

Hoje entrevistaremos o presidente da Associação do Canibalismo, sr. Aderaldo Sardinha. Boa tarde, Aderaldo...
-Boa tarde.
Aderaldo, eu gostaria que você nos explicasse melhor qual o objetivo da sua associação.
-Bem, Aníbal, eu gostaria de ressaltar que nossa organização é um movimento social como os demais, o que muda é apenas nosso objetivo. E qual seria ele? Bem, nossa missão é proteger a prática cultural do canibalismo.
Mas não é uma prática muito... bizarra, por assim dizer?
-Veja bem, Aníbal, o canibalismo é uma coisa muito normal. Ora, não existem pessoas que comem as unhas? Que bebem a urina para rejuvenescer? Isso também é canibalismo.
E quanto á comer carne humana?
-Bem, esse é o pessoal mais hardcore do movimento. Mas, mesmo assim, estamos numa democracia, temos o direito garantido por lei de comer o que quisermos, não é?
Mas isso não viola um pouco o respeito aos demais seres humanos?
-Claro que não. Veja bem, nós temos um fundo especial para onde são enviados membros de pessoas amputadas.
E é suficiente para todos os membros da organização?
-Sim, ainda mais agora que fizemos um acordo com o Clube dos Apotmenofílicos.
Apotmnenofílicos?
-Isso, é todo aquele que sente prazer em se amputar.
Isso não parece meio macabro?
-Bem, gosto não se discute...
Com certeza...

Steampunk: o que é isso?


Bem, você que visita meu blog religiosamente (ninguém visita ele, mas faz de conta!) deve estar se perguntando: o que é steampunk? Claro, falei da influencia da era Vitoriana no steampunk antes de falar do steampunk: desculpa, erro meu! Mas agora vou consertá-lo.

Steam em inglês quer dizer vapor, Punk você já sabe, é aquele movimento marginal que preza pela autonomia e pela liberdade de velhos costumes. Você deve conhecer o irmão mais velho do steampunk, o cyberpunk, onde ficção científica e a cultura punk se misturam, geralmente, para construir um futuro distópico. Com o steampunk não é muito diferente, apesar da cultura punk não ser muito saliente aqui - a ênfase recai na estética da Belle Epoque - e as distopias não serem via de regra - mais uma vez lembrando que era uma época de euforia e serenidade (vale a pena lembrar que o termo foi criado pela imprensa, portanto não é necessariamente muito exato para fixar fronteiras com o cyberpunk).

O steampunk se situa entre o século XVIII e XIX, entre a primeira Revolução Industrial - quando o vapor surge como força mortiz - e a Segunda Revolução Industrial. Geralmente vinculado ao gênero da História Alternativa, onde novas possibilidades de presente são criadas por mudanças no passado. Geralmente essa mudanças no steampunk passam pela ciência. O maior exemplo disso é o livro considerado por muitos como inaugurador do gênero, o já mencionado aqui The Difference Machine de Bruce Sterling e William Gibson (pai do Cyberpunk), onde o computador (a máquina diferencial) é criado 100 anos antes do ocorrido e modifica toda a nossa história, criando uma sociedade regulada pela máquina.

Mas nem só de ciência vive o steampunk, basta lembrarmos que ele se dirige ao século do vapor e não só a um aspecto dele. Pode se fazer steampunk ao falar da medicina (como o faz Roberto Luiz Monteiro Costa com O Istmo do Dr. Moreira), da religião, da cultura, das aventuras (ramo muito produtivo ainda no século XIX, como já falamos aqui) e etc.

Basicamente, isso é o steampunk.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Tempos de Vitória



Peter Sellers, como Rainha Vitória, ao lado de Spike Milligan no filme The Great McGonagall(1974)

Por que o steampunk é sempre associado á era Vitoriana? Para respondermos a essa questão primeiro temos que responder á outra: o que é a Era Vitoriana? A Era Vitoriana compreende o período de 1837 á 1901 e é assim chamada por englobar o longo reinado da Rainha Vitória.

Essa é a verdadeira Rainha Vitória (1801-1901).
Vitória subiu ao trono numa época em que o imperialismo britânico estava se consolidando, tanto na Ásia(Índia) como na África (destaque para a compra do Canal de Suez).A Revolução Industrial também estava se desenvolvendo. mesmo que as condições de trabalho não tenham melhorado muito na maioria dos complexos industriais, pelo menos agora havia uma legislação trabalhista sendo criada no Parlamento. A prosperidade financeira da Inglaterra fez surgir uma classe média mais forte, nem por isso menos conservadora. Na política, estamos em um período de conciliação entre os adversários de sempre, os Whigs(conservadores) e os Thories(liberais).
Além disso há que salientar a profusão de "aventureiros" britânicos no período, inaugurando uma nova classificação no mundo da aventura: o aventureiro vitoriano. Geralmente, homens de boa formação que prezam pelo cavalheirismo e idolatram a ação, se enveredando pelos locais mais exóticos,pelo prazer da aventura (como todo bom aventureiro) e pela busca de fama. Nesse rol se encontram desde o fictício Lorde Roxton de O Mundo Perdido (Conan Doyle)até o famoso e misterioso Richard Burton (não, não é o ator de Cleópatra e o Manto Sagrado), que esteve no Brasil!

Richard Burton(1821-1890), orientalista, oficial da Marinha Britânica.
Na literatura temos o surgimento de poetas como W.B Yeats, a crítica social de Charles Dickens, as aventuras de Louis Stevenson e Arthur Conan Doyle,a ironia de Oscar Wilde e Bernard Shaw. Na ciência, vale destacar as teses de Darwin e Wallace sobre a evolução das espécies, as descobertas de Lorde Kelvin sobre a física e a temperatura, além é claro da evolução das máquinas á vapor. Na virada do século podemos ver automóveis já andando por Londres.
Resumindo a Era Vitoriana em uma palavra ela seria: euforia. Sim, foi uma euforia, principalmente para a classe média. Euforia é um elemento-chave da Belle Epoque. Além disso há que salientar a criação de uma idéia de progresso e a fé inabalável nele, principalmente através da Ciência.
Portanto, quando Bruce Sterling e William Gibson escolheram a Era Vitoriana como cenário de seu famoso livro The Difference Engine, considerado o Pai da Steampunk,não foi por acaso. Num contexto como esse de euforia, de desenvolvimento industrial, de aventureiros e de cientificismo, boas histórias são o que não faltam. Aliás, os próprios contemporâneos perceberam isso,H.G.Wells, Jules Verne, etc. Aliás, esse clima não era próprio da Inglaterra, ele era a atmosfera da maioria dos países da Europa na época. A Belle Epoque institucionaliza essa euforia.
É um ramo muito frutífero não só pelo que tem de belo e cativante, mas pelas tensões subterrãneas também, presentes, inclusive na própria Inglaterra vitoriana. Ora, a questão dos vagabundos, das péssimas condições de trabalho dos operários, do imperialismo na Ásia e África (basta lembrar da guerra dos Sipaios na Índia e a guerra dos Boêres na África do Sul, dentre tantas outras).

De qualquer maneira, a Era Vitoriana é uma época realmente muito interessante, cheia de mudanças, algumas drásticas outras não. Aliás, um dos maiores desafios dos escritores do gênero nos países não anglo-saxões é justamente o de desvincular o próprio gênero desse período, de tão enraizado que está com a Inglaterra vitoriana. Mas esse debate eu deixo para uma outra hora.

Afoturismos II

Dinheiro:
A cotação da água nas Bolsas de Valores através do mundo subiu bastante.
Política:
O Brasil cogita vender todo o Aquífero Guarani para pagar a dívida externa.
Cultura:
Sociedade civil organiza campanha "o aquífero é nosso!"
(retirado de um jornal do futuro)

Meu pai

Me chamo Maria Augusta Perrin. Moro em Buenos Aires desde os 4 anos. Meus pais vieram morar aqui porque os parentes da minha mães viviam aqui. Adoro minha mãe, ela sempre me criou com carinho, mesmo com dificuldade. Meu pai... meu pai é uma história curiosa.
Não me lembro do meu pai. Não me lembro do rosto dele. As fotos que minha mãe me mostra dele não me atiçam a memória, não adianta. Minha mãe morria com isso. Ela dizia que os homens pegaram meu pai porque ele fala a verdade e falava demais. Eu ficava com medo dos homens e de falar a verdade.
Minha mãe ia sempre na Junta Militar, perto da esquina de casa, saber do meu pai, mas eles diziam que ele não estava lá. Ela uma vez arrumou briga com um dos moços de lá, mas depois ela se acalmou. Minha mãe pedia para eu não me esquecer do meu pai, mas eu não conseguia lembrar dele.Ela apertava a minha mão bem forte e começava a chorar, pedindo para não esquecê-lo e eu não entendia.
Ela foi procurar mais informações sobre ele no cartório, porque ela queria provar que era casada e ganhar uma indenização do governo pelo menos para poder comprar comida e o material da escola. Mas nada, o governo dizia que ele não existia. Ela mostrava os documentos dele, mas nada. Ela ficava muito frustrada com isso, se trancava no quarto e só ouvia os soluços.
Eu comecei a pensar que meu pai não existia depois que uma amiga minha disse que a mãe dela havia dito que meu pai não existia e era invenção da minha mãe. Minha mãe andava meio estranha mesmo, talvez fosse loucura dela. Mas ela me mostrava as fotos. Quem era aquele homem então? Eu não entendia.
Nossos vizinhos não falavam mais conosco e meu avô e minha avò pararam de nos ver.Eu também achava isso muito estranho. Mamãe disse que era porque eles tinham medo de sumirem como aconteceu com papai. Não sei quem sumiria com as pessoas, mas de uma coisa tinha certeza: não era o bicho-papão. Mamãe ia sempre na Junta. Quem sabe as pessoas da Junta que sumiam com os outros. Eu começava a imaginar que dentro da Junta tinha um buraco negro, um portal onde eles jogavam as pessoas e elas sumiam.
Depois que conclui isso passei a me afastar de minha mãe,pois ela falava,brigava, criticava as pessoas da Junta muito.
Bem, os anos se passaram, eu cresci, fui para Faculdade, me afastei de minha mãe, me formei e casei. Um dia liguei a tv e estavam cobrindo o julgamento de Videla, Massera e demais militares que começaram com o novo regime em 1976. Um homem estava depondo. Era um homem muito calmo. Ele estava falando sobre como deixava ele e seu parceiro de cela sem comida na Junta. Seu parceiro era José Roberto Perrin. Era meu pai. Eu tive um choque. O resto do julgamento nem acompanhei, fiquei só pensando: então ele existiu! E falei: Meu pai. Nunca tinha falado essas duas palavras, muito menos o nome dele depois que fui para Faculdade. Imediatamente, lembrei da minha mãe. Ela estava certa, ele existiu. E até eu sumi com ele, sumi com ele da minha mente.Comecei a chorar.Era felicidade, culpa, sei lá, tudo isso.Meu pai voltou a existir depois de tantos anos. Meu pai.

minicontos II

PROFETA
Coronel Muricy gostava de escrever, nas horas vagas, pequenas piadinhas sobre o futuro. Quando inventaram o celular, ele se lembrou de que tinha previsto isso anos antes numa de suas piadinhas. Agora Muricy tem certeza que não nasceu para a carreira militar, mas para ser profeta.

O ATAQUE
"O plano é o seguinte: sairemos pelo bueiro enquanto estiverem dormindo e assim atacaremo-os de surpresa. Senhores, amanhã essa casa voltará a ser nossa!" Disse a barata.

ESTADISTA
Quando era criança, roubava as mangas do seu João e colocava a culpa no seu colega Henrique. Quando quebrava as janelas fingia que não era consigo. Tudo apontava para um futuro promissor na política.

O BOTÃO

Um tribunal. Um homem está sendo julgado hoje. Seus ombros curvados, seu olhar perdido no chão, suas mãos entrelaçadas são o suficiente para percebermos que ele se considera culpado e acha que deve ser condenado. O juiz prepara sua mesa, lê os papéis, pigarra um pouco antes de começar. Então, mira o acusado, e inicia sua inquirição.
-O senhor sabe por que está aqui?
-Sim, Meritissímo.
-O senhor tem ciência de que sua vida está em jogo aqui?
-Sim, Meritíssimo.
Na sua voz, um misto de serenidade e culpa. O juiz olhava-o com uma certa inquietação, não podia entender o motivo de tanta serenidade, muito menos de culpa.
-Sr. M, código 12-4b, residente do complexo K, o senhor está sendo acusado de apertar o botão vermelho e com isso exterminar 36 mil vidas. Como o senhor se declara?
-Culpado, Meritíssimo.
Culpado? Já tinha ouvido isso antes, mas sempre quando o acusado era confrontado com as provas forense e não lhe restava outra saída. Esse homem, no entanto, já de antemão, se declara culpado! Será encenação? O juiz busca em seus gestos alguma prova de teatralidade. Seu olhar distante parece uma das mais dissimuladas, mas ainda não tem total certeza.
Por mais que queria investigar o estranho comportamento do reú, o juiz tem que proferir a sentença.
-Sr. M, o senhor está condenado por homicídio em massa. Será sentenciado ao botão vermelho. Algum último desejo?
-Sim, eu gostaria de falar uma coisa...
Era isso, agora ele encenará todo um teatrinho. O juiz agora entendeu seus planos: ele quer ser um mártir. Bem, vamos ver até onde ele levará isso.
-Pode falar.
Seus olhos ficam mais agitados, tentam olhar para o juiz, olhar para as testemunhas. Suas mãos estão trêmulas. Na certa, é o peso da morte, de sua morte.

-Eu... sinto muito.
Envergonhados seus olhos voltam ao seu limbo e o corpo parece ter voltado a sua tímida serenidade.O juiz friamente aperta o botão vermelho e o homem cai do alçapão. Não se pode ver onde ele caiu, mas podemos ouvir seus gritos de dor se dissipando e um ligeiro cheiro de queimado penetra no tribunal. Mais uma vez a justiça foi feita, conclui o juiz.

Minicontos

I CHING
Foi consultar o I Ching. "Prepare-se para o novo". Não entendeu.
No dia seguinte foi atropelado por um carro ecológico importado.

MONSTRO
Com medo do monstro debaixo da cama, Dinho correu para a cama dos pais. Eles garantiram que ali estaria seguro. Estava quase fechando os olhos quando ouviu aquela voz cavernosa: Boa tentativa, Dinho...

MÃE
"Cuidado aí, meu filho! E nunca saia de casa sem seu casaco!"
Riu em silêncio do outro lado da linha, no Marrocos.

Afoturismos I

O processo eleitoral na República Democrática de Zanzibar é simples: todo triênio eles organizam um triatlo e quem ganhar se torna o rei. Eles ainda não conheceram as maravilhas da democracia moderna: nós inserimos o nome dos candidatos nos computadores e eles calculam aqueles que roubarão menos e estes serão automaticamente eleitos.